Sergio e Ana Clara vão comandar bate papo sobre o projeto que desenvolvem em Poços de Caldas (foto: divulgação)

Contemplados no edital Circula Minas 2018, programa de intercâmbio da Secretaria de Estado de Cultural de Minas Gerais, Sergio Fernandes e Ana Clara Oliveira, realizadores do projeto Janela Mágica, participam do “4º Encuentro de Fotografos de Plaza”, em Mercedes, cidade da província de Buenos Aires, capital da Argentina, dias 10 e 11 de novembro.  

Recentemente, o encontro foi declarado de Interesse Patrimonial Fotográfico, pela Sociedade Ibero-americana de História da Fotografia (SIHF). Organizado por Juan Meoniz, da comunidade Fotografos de Plaza, com o apoio do Foto Club Mercedes, o evento vai reunir fotógrafos pesquisadores do assunto de todo o mundo. “A ideia é manter viva a arte da Câmera/ laboratório (tipo Lambe-lambe) e seu imaginário no espaço público, além de contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento da fotografia como prática cultural”, afirma Meoniz. 

O objetivo principal de Sergio Fernandes e Ana Clara é fazerem parte de um evento que fomenta a arte de fotografar como um exercício cultural, além de reforçar a câmera  caixote e os fotógrafos de praça (ou de jardim) como parte fundamental da história dessa arte, responsáveis por fornecerem uma infinidade de informações de ordem técnica, estética, antropológica, cultural e social. “Queremos buscar um entendimento maior do trabalho destes anônimos fotógrafos de praça, que são considerados um patrimônio cultural imaterial em alguns locais e conhecer um pouco mais sobre suas peculiaridades em outras partes do Brasil e do Mundo”.  

Sérgio planeja para 2019 a realização de um encontro semelhante em Poços de Caldas, levando em conta que os fotografos Lambe-lambes também fizeram história no município, e até o final da década de 80, era possivel ver um fotógrafo de praça na ativa com sua câmera caixote, graças a família Quinteiro e mais precisamente ao Sr. Mário Quintero, o famoso fotógrafo do Coreto.   

Para contribuir com o encontro Sergio e Ana Clara vão comandar um bate papo “Câmera Lambe-lambe e outras experiências analógicas”, sobre o trabalho à frente do projeto Janela Mágica, desenvolvido a mais de 12 anos na região do Sul de Minas Gerais e interior de São Paulo, além de trocar informações sobre as diferentes técnicas de utilização e construção das câmeras caixote no Brasil em outros países.    

Casarão Choperia

Natural de Poços de Caldas e formado em Artes, Sérgio atua há mais de quinze anos na área de cultura e arte-educação, sendo idealizador e coordenador do projeto Janela Mágica desde 2006, membro do Conselho de Políticas Culturais de Poços de Caldas e membro do Foto Clube Lambe-lambe, entidade recém fundada e que conta com a participação de fotógrafos Lambe- lambes comtenporâneos de várias partes do país. Através das pesquisas do Projeto Janela Mágica, Sérgio publicou dois livros sobre Fotografia Experimental “Buraco de Agulha – Guia Prático e Curiosidades da Fotografia Pinhole” – 1ª e 2ª edição e dois Catálogos Fotográficos “Janela Mágica – Catálogo Comemorativo 10 anos” e “Janela Mágica – Fotografia Pinhole”; publicações que foram distribuidas em escolas, bibliotecas, centros culturais e instituições de educação e cultura em Poços de Caldas e Região.  

Informações: site oficial e nas páginas do Janela Mágica, Fotoclube Lambe Lambe e Fotografos de Plaza.

Fotógrafos de praça 

Os fotógrafos de praça são uma profissão quase que extinta, conhecida em diferentes locais do mundo por diversos nomes. Aqui no Brasil os fotógrafos que ficavam nas praças ou jardim púbicos também eram chamados de Lambe-lambes, fazendo referência ao tipo de máquinas que usavam e a técnica de revelação das fotografias. Na Argentina, são comumente chamados de Minuteros, e no mundo de Chasirete, Foto Aguita (foto água), Câmera Afgã, entre outros. 

De acordo com Juan Meoniz, os fotógrafos de praça por muito tempo cumpriram a importante missão de conservar em imagens a memória de entes queridos, de um passeio, de momentos felizes, que devido ao baixo custo de sua fotografia, era acessível às massas. Tanto na Argentina como no Brasil, eram, por muitas vezes, a única maneira que os imigrantes tinham de adquirir uma fotografia para enviar a seus parentes, ou então uma forma prática de um romeiro comprovar a sua fé como acontecia na cidade de peregrina de Aparecida.  

Em Poços de Caldas, os fotógrafos de praça exerciam a profissão até bem pouco tempo atrás, registrando noivos e turistas. Mas também, em muitos casos eram os únicos a registrar o que se passava na cidade, inclusive momentos históricos. 

*Fonte: assessoria de imprensa Projeto Janela Mágica

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